Um magnífico planeta para amar


Há já uns bons (20) anos, vi (e revi) uma série de documentários na televisão, que o meu pai religiosamente gravou - “A Planet for the Taking” /“Um planeta para amar”, (premiada pelo Progr. de Ambiente das Nações Unidas), sobre a relação do Homem com a Natureza, de David Suzuki, um biólogo e excelente divulgador de ciência canadiano.
Uma das ideias que ele bem explicou e exemplificou foi a tendência para gostarmos, na Natureza, daquilo que tem traços humanos ou que foi humanizado, e a que se associa, ainda que inconscientemente, uma afirmação de superioridade do Homem. Demonstrava sinais desse antropocentrismo com vários exemplos, entre os quais algumas formas de relacionamento com os animais domésticos e alguns números de circo, em que se tenta que animais imitem certas acções humanas, tirando partido cómico da sua natural menor aptidão. Não pude deixar de me lembrar dessa visão quando encontrei as “10 árvores mais magnificas do mundo” (a que cheguei através do dias-com-árvores e da Quinta-do-Sargaçal )
Para além das fotografias aqui colocadas, os exemplos da casa de banho e da estrada no interior do tronco também falam por si.


Muito diferente do “Pinus pinaster Aiton, regionalmente conhecido por Pinheiro rastejante do litoral” e do arvoredo da mesma espécie, recentemente classificados na Mata Nacional de Pedrógão . Apesar de termos de reconhecer que, actualmente, sinais da mão do Homem estão presentes em quase tudo, nem que seja indirectamente, estas árvores serão menos impressionantes (ou não) que as “10 Magníficas”, mas também menos resultantes da intervenção humana. Esperemos que essa não venha agora estragar o que a Natureza criou.


Augusto Mota

No caso do nosso Cupressus do Príncipe Real, em Lisboa, (com várias fotografias no post de 21.03 ), que se destacaria pela positiva no meio das "10 Magníficas", a influência do Homem, apesar de também interferir na forma da árvore, aparece sobretudo para a ajudar, para a suportar, e com isso acabou por criar um abrigo único.
Sem dúvida, magnífico.

Magnífico também

Acabo de verificar no site da DGRF, que está disponível desde hoje, há pouco mais de 2 horas, a:

(quelique!) Lista de Árvores Classificadas de Interesse Público, consultável por Distrito

+ um sinal +



Ainda as árvores classificadas

Parece que foi de propósito.... mas não foi.


Quando aqui publicámos, no dia 21 de Março, algumas informações e reflexões sobre as árvores classificadas de interesse público, não tínhamos ainda tido conhecimento da iniciativa que, sobre esse tema, estava preparada para ontem, às 14.30, pela CML. Este fim de semana tivemos a surpresa de saber que, “no âmbito da semana da Primavera programada pela CM Lisboa”, se iria proceder ontem “ao lançamento, para o público geral, do Mapa Virtual das Árvores Classificadas de Lisboa, no Auditório Espaço Monsanto com disponibilização no site da CML.( Programa da semana da Primavera)

Justificava-se particular expectativa, não só por se tratar da maior autarquia do país mas também por ser aquela onde há mais exemplares (isolados) classificados. O mapa disponibilizado , pode ser impresso em 4 páginas e localiza 42 árvores classificadas de Interesse Público. Mostram-se também fotografias de algumas das árvores do “primeiro percurso virtual” publicado, entre o Jardim Alfredo Keil e a Pç. de S. Bento, que corresponde ao percurso pedestre guiado a realizar em 14 de Abril e que permitirá observar 11 árvores classificadas. Outros 9 serão publicados e realizados, com uma cadência mensal, até aos primeiros meses de 2008.

Das 42 árvores identificadas no mapa agora disponibilizado concluí, após uma rápida análise, que só 2 estão em propriedade particular (a Araucária e a Bela-Sombra da Qª da Conceição). Das outras 40, duas estão em edifícios ligados ao Ministério da Saúde (Hospital Pulido Valente) e outras duas ao Ministério da Agricultura (Laboratório Nacional de Investigação Veterinária). As restantes 36 estão sob responsabilidade directa da autarquia, duas em dois dos viveiros camarários e as outras 34, na sua grande maioria, em jardins públicos.

Uma responsabilidade acrescida para a autarquia, nomeadamente pela “obrigação” de melhor aproveitar esse potencial.

Localizar e disponibilizar informação sobre este património é, obviamente, uma tarefa a realizar e a aperfeiçoar, por isso estas acções agora programadas são um sinal positivo.


Creio que, pelo menos em relação aos últimos 30 anos, actualmente há maior consciência da necessidade de valorizar as árvores “especiais” e as administrações locais começam a dar mais atenção a este tema. E só identificando-as melhor se torna possível (re)conhecer e divulgar o seu valor e tomar as medidas necessárias para as conservar em bom estado.

Chorisia speciosa no Jardim Braancamp Freire, Jorge N., 25.03.07

Sobre este assunto, muito há a dizer e a fazer e é óbvia a necessidade de maior investimento, o que não implica forçosamente grandes despesas: (e...repetindo-me) com a tal colaboração coordenada entre administração central, local, escolas, associações, empresas, particulares..., poder-se-á conseguir mais facilmente a actualização do inventário e das classificações e a promoção de publicações e de outros materiais de divulgação.

A este e a outros assuntos, quero voltar, mais perto do início do Verão. Até lá vou mergulhar, nestas águas e noutras próximas. Não é hibernação, que o Inverno acabou, nem ir a banhos, que o Verão ainda não chegou. É mesmo para uma Primavera frutuosa, a jardinar sem parar.


Chorisia speciosa no Jardim Braancamp Freire, Jorge N., 25.03.07

Tinha acabado de escrever este texto quando recebi mais uma semente, em forma de mail, vinda de um verdadeiro arboreto , cheio de ideias e de outras possíveis sementes. Vou fazer tudo o que puder para ajudá-la a crescer.

Um dia de muitas coisas...a Primavera é assim


Dia da Árvore, Dia da Infância, Dia da Poesia, Dia da Marioneta

O UNEP, Programa de Ambiente das Nações Unidas, definiu como objectivo para este ano, a plantação de mil milhões (1.000.000.000) de árvores – em média, uma por cada 6 habitantes.
...faltam registar mais de 974 milhões.

oak alley, St. Simons Island, Georgia
Stephan Malkof


Nos EUA, onde começou a ser comemorado, o dia da árvore deu até origem a uma Fundação. Vale a pena a consulta do seu site. Para além de ficarmos a conhecer múltiplas formas de auto-financiamento, disponibiliza-se muita informação... é um bom exemplo de site dinâmico, fácil de consultar, coerente com o lema inscrito: “we inspire people to plant, nurture and celebrate trees” - The National Arbor Day Foundation

Esta Fundação lançou recentemente uma votação para escolher a árvore nacional dos EUA, que foi ganha pelo Carvalho (oak), com mais de 100.000 dos 444.628 votos


Há 100 anos comemorou-se pela primeira vez o dia da Árvore em Portugal.

No artigo do Engenheiro José Neiva Vieira, na naturlink, a que cheguei através desta página no dias-com-árvores, encontra-se muita informação sobre as origens das comemorações do dia da Árvore.
Aí ficamos a saber que há 100 anos, “em 26 de Maio de 1907 no Seixal realizou-se a 1.ª Festa da Árvore, promovida pela Liga Nacional de Instrução. Nesse mesmo ano, a 19 de Dezembro, realiza-se em Lisboa, com o apoio da Câmara Municipal, outra Festa da Árvore."

Não foi para comemorar este centenário, mas não deixa de ser motivo de regozijo o facto de, desde o início de 2007, o anúncio de novas árvores classificadas de interesse público ter passado a ser feito no site da DGRF, onde podem ser consultados os respectivos avisos.
Para além da facilidade de acesso a essa informação, passamos a contar também com a localização em excerto da carta militar 1:25.000, a cores (com qualidade muito superior às cópias, que nem sempre eram incluídas, nos avisos publicados no Diário da República) Avisos de classificação de árvores de interesse público


Cedro do Bussaco, Cupressus lusitanica

JN, 2006


O Cedro do Jardim França Borges/do Príncipe Real, além de ser a mais famosa é também a árvore há mais tempo classificada de interesse público, em Lisboa (desde 12.02.1940)

Em Portugal, a árvore há mais tempo classificada é um Plátano em Portalegre. No cada vez mais e melhor “arborizado” dias-com-árvores, podemos vê-lo e podemos também encontrar muitas informações e fotografias sobre árvores classificadas em Portugal.

Placa de informação de Árvore de Interesse Público

JN, 2006

Nos últimos anos têm sido desenvolvidos, em vários países da Europa, diversos trabalhos de inventariação de árvores merecedoras de protecção especial. Em alguns casos são lançados e dirigidos pela administração central, que apesar disso conta com a colaboração das autoridades locais, de associações científicas, ambientalistas ou outras e de particulares. O caso Belga é um exemplo (L'Inventaire des Arbres), sendo a responsabilidade do trabalho do mesmo organismo encarregue da protecçao do Património Arquitectónico (o nosso IPPAR).

Noutros casos, são organizações não governamentais que assumem um papel determinante. Como em Inglaterra com o Projecto Ancient Tree Hunt

Em França, em 1996, foi relançado um inventário que identificou mais de 2000 árvores. No site do ONF (a nossa DGRF) é possível consultar uma listagem e informações sobre algumas dessas árvores.

Mas o assunto também mexe no resto do país ou, talvez melhor, o resto do país também mexe no assunto - a nível local também se realizam inventários. Em Lille, o município promoveu em 2002 um concurso aberto a toda a população para que fossem determinadas as árvores merecedoras de protecção especial - 10.000 fichas distribuídas, 69 árvores propostas, das quais 23 foram classificadas (Relatório em PDF).

No site do departamento Hauts-de-Seine, é possível consultar, a partir de uma carta com a divisão administrativa, listagens das árvores inventariadas em cada “commune”.


Cedro do Jardim França Borges

Joshua Benoliei, 1911 (Arqº Fotográfico de Lisboa)


Era útil actualizar a legislação e definir com maior rigor os critérios de classificação à imagem do que foi feito para o Património Cultural, com a sua nova lei 107/2001. Foram clarificados os critérios genéricos e os objectivos da classificação para os bens culturais, móveis ou imóveis, distinguindo-a da inventariação, tarefa complementar mas também de grande importância para a sua preservação.
Em França, por exemplo, foi realizado recentemente um inventário para classificação de jardins históricos. Alguns mereceram ser classificados, outros ficaram apenas inscritos. Mas o facto de terem sido seleccionados e listados, pode ser suficiente para a protecção e valorização que necessitam.

O decreto nº 682, de 1914, que aprovou o Regulamento de protecção das árvores nacionais também distinguia os dois "estatutos". Nele se incumbiu a Associação Protectora da Árvore de fazer o "arrolamento" das árvores notáveis e de propor "à Direcção Geral da Agricultura que sejam consideradas nacionais aquelas que julga dignas de figurar no respectivo catálogo".



A verdade é que poucos frutos resultaram desta iniciativa legislativa cujos objectivos, quase um século depois, mantêm actualidade, pelo menos em alguns aspectos.

Algumas autarquias (entre as quais a de Oeiras) têm manifestado a intenção de proceder a um levantamento que permita a identificação das árvores singulares, que mereçam protecção especial.

Por outro lado, a Direcção Geral dos Recursos Florestais, responsável pela atribuição da classificação de árvores de interesse público, desde as primeiras classificações, nos anos 30, na sequência do, ainda em vigor, Decreto-Lei nº 28 468, de 1938, acumulou um saber e uma quantidade de informação valiosos, que não devem ser desprezados.

As árvores monumentais são um património e um recurso com potencialidades pedagógicas e turísticas ainda em grande parte por aproveitar.


JN, 2006

Como hoje, para além do dia da árvore, também é dia da infância, da poesia e da marioneta, vou arriscar e, não sei bem se no papel de actor, de poeta, de criança ou de admirador de árvores monumentais, recitar a minha proposta (ou sonho, ou poema, ou ficção):

Lançar um programa de levantamento das árvores monumentais do País, solicitando o apoio das autarquias, de escolas, de empresas, de associações ambientalistas e outras com interesse e capacidade de colaborar nesta tarefa, com o objectivo de... em 2013 ter finalizado todo o processo de inventariação, selecção e classificação e editados materiais de divulgação, principalmente para utilização nas escolas e em promoção turística.
Porquê esta data? Por 3 motivos:

1º - 6 anos é um período de tempo razoável para uma missão que exigiria algum esforço de coordenação e mobilização, principalmente atendendo à óbvia necessidade de ser feita com custos reduzidos

2º - seria interessante que, passados 100 anos do decreto nº 682, de 1914, que mandava proceder ao inventário, classificação e divulgação das árvores notáveis, se tivesse conseguido concretizar os objectivos que aí foram definidos, apesar de em grande parte relativos já a outras árvores

3º - corresponderia ao final do mandato legislativo seguinte o que, tratando-se de um objectivo nacional, daria frutos à equipa actual, por ajudar a lançar o trabalho, e à seguinte, fosse ou não a mesma, por terminá-lo

Estou convencido que, de uma maneira ou de outra, vamos mesmo chegar a 2014 com as árvores “monumentais” bem identificadas, com publicações, sinalética e outra informação facilmente acessível, que ajudará a que a maior parte/uma parte maior da população tenha conhecimento do valor desse património, prazer em observá-lo e interesse na sua salvaguarda. (Ainda há optimistas não cépticos)

Biblioteca Municipal Móvel (literalmente), no Jardim França Borges/do Príncipe Real.

Eduardo Portugal, 1939 (Arqº Fotográfico de Lisboa)

Mais sinais positivos: notícia de ontem sobre um verdadeiro jardim digital literário a florescer - acesso a poesia e literatura com o projecto Gutenberg, "primeiro produtor de livros electrónicos (ou livros eletrônicos) grátis", onde já é possivel aceder a mais de 80 obras portuguesas e a muitas outras de outros países. Blog português de apoio ao projecto - pagina-a-pagina

Quando menos carros = mais cidade


Obviamente que a receita não se aplica a toda a cidade, mas em certas áreas tem ganhos evidentes (raramente avaliados):

Jardim Braancamp Freire - Campo dos Mártires da Pátria - Campo Santana

JN 2006

Quando os carros libertam espaço, mesmo que seja aos poucos (por exº, primeiro extingue-se uma via de circulação automóvel, mais tarde diminui-se a largura de outra, muda-se o pavimento, impõem-se limites de velocidade de circulação) e quando se criam condições para que o espaço público resultante seja melhor usufruído pela população, dão-se bons passos para revitalizar (segundo o dicionário: tornar a insuflar vida, fazer revigorar) a cidade. A história do Jardim Braancamp Freire é/pode ser um bom exemplo.

O segundo pacote de vídeos das segundas segundas

- clicar no título para iniciar visionamento -

1- MOBY - My Own Back Yard (22,21 min) disponível desde 10 de Outubro de 2006
Horta junto à embaixada dos EUA, já desaparecida, 1993, Jorge N.

Família japonesa em Nova Yorque, 1917 in cityfarmer
Este vídeo apresenta uma entrevista com o coordenador do projecto de criação de um "jardim de bairro", em Vancouver, cidade que conta com vários espaços verdes deste tipo e em que o apoio prestado pelas entidades municipais tem um enquadramento bem definido (página informativa do serviço municipal).
A criação de jardins por grupos de moradores de bairros em cidades de grande dimensão tem vindo a difundir-se nos últimos anos, nomeadamente nos EUA, no Canadá e em França. Tem vantagens comprovadas: beneficiação de espaços públicos com custos reduzidos, fortalecimento do sentimento de comunidade...
A Community Gardening Association, é uma associação bi-nacional (EUA e Canadá) que apoia a constituição deste tipo de iniciativas.

Em Lisboa, desejam-se mais apoios para mobilizar (e impedir a desmobilização de) comunidades que, mesmo sem terem tradição nestas iniciativas (como nenhuma tinha antes de começar!!!), já deram provas da vontade e da capacidade de as desenvolver. Em Telheiras, a “história” recente está bem documentada e analisada em livro há poucos dias editado: um quadradinho de verde na aldeia de Telheiras - caso e metáfora, Ana Contumélias.
Nas recentes (mas não novas) palavras de Gonçalo Ribeiro Telles no Café Nicola, no âmbito do ciclo de conferências intitulado «Os problemas de Lisboa»: "Lisboa precisa de «agricultura», de ligar a cidade ao campo e de pensar a construção sem esquecer as águas do subsolo e a ligação ao Tejo. De vestir a cidade de espaços verdes para que ela possa respirar, e aprender que uma horta no quintal não é «saloio». De procurar os exemplos de outras cidades europeias que apostam, cada vez mais, em agricultura dentro das urbes".

2 - Tree People (2.17 min) disponível desde 18 de Junho de 2006
Agora que se aproximam as comemorações do dia da árvore e num ano que se pretende que seja de muitas novas árvores, um vídeo com uma apresentação do trabalho da “Treepeople”, grupo norte americano que se dedica a apoiar a plantação de árvores, colaborando com escolas e outras organizações. Como referiu a queniana Wangari Maathai, Nobel da Paz de 2004, que promoveu o plantio de vários milhões, no Quenia: “ao plantarmos árvores estamos também a plantar a esperança”.
3 - Processionárias em Monsanto (2,52 min) disponível desde 4 de Janeiro de 2007
Neste vídeo amador gravado no Parque de Monsanto, vemos várias dezenas de lagartas (creio que perto de 100) deslocando-se em fila indiana numa autêntica procissão. A Processionária (Thaumetopoea pityocampa), é uma das pragas que atinge as nossas árvores. "Entre fins de Fevereiro e Maio, as lagartas, normalmente lideradas por uma fêmea, descem das copas das árvores hospedeiras até ao solo, em procissão (daí o nome comum de processionária) em busca de locais para enterramento. Nesta altura, a processionária tem o corpo dividido em pequenos segmentos, cada um dos quais com milhares de pêlos urticantes de coloração alaranjada que se vão libertando à medida que a larva se move. São estes pêlos que, quando em contacto com a pele, mucosas e olhos provocam a reacção alérgica tão indesejada. Terminada a procissão, as lagartas dão início à fase subterrânea do seu desenvolvimento, enterrando-se a alguns centímetros de profundidade do solo. Em climas frios, procuram as zonas banhadas de sol enquanto que em climas quentes preferem as zonas sombrias. Aqui evoluem para o estádio de pupa ou crisálida que, desde finais de Junho até Agosto sofrem uma metamorfose originando as borboletas (insecto adulto) que acasalam entre si" (fonte: naturlink).


Extra: Secret Garden (4,27 min.) disponível desde 21 de Abril de 2006 - agora aqui: Secret Garden

Bruce Springsteen na canção principal da banda sonora do filme "Jerry Maguire", de 1996, realizado por Cameron Crowe.
"...She'll lead you down a path/There'll be tenderness in the air/She'll let you come just far enough/So you know she's really there/She'll look at you and smile/And her eyes will say/She's got a secret garden/Where everything you want/Where everything you need/Will always stay/A million miles away."
"Há no homem, como todos sabemos, o ilimitado da sua procura e o limite de tudo o que encontra. Nenhum sentimento perdura para além da sua realização. Nenhuma verdade se aguenta, se não desistirmos de a questionar. Nenhuma crença se nos inflama, se a não reanimarmos. Enquanto se realiza ou vive seja o que for, isso integra-se no homem e assim lhe não tem peso como o não tem o corpo que é seu. O homem é o ilimitado do seu caminhar. E tudo aquilo em que se vai realizando é só expediente para ir havendo caminho "
Vergílio Ferreira, Pensar

Jardineiras à frente


As mulheres têm assumido papéis de primeira importância na Arquitectura Paisagista, desde os seus primórdios, no final do século XIX. No entanto, durante muito tempo, o seu campo de actuação esteve limitado ao “ambiente doméstico” e o reconhecimento das suas capacidades profissionais foi lento e marcado por avanços e recuos (sobre o tema - artigo e resumo de investigação premiada em 2005)




Há cerca de um século e meio, principalmente em Inglaterra e nos Estados Unidos, a jardinagem tornou-se uma moda e um hobby feminino muito difundido e foram mulheres que escreveram muitos dos mais importantes livros e artigos para revistas sobre o assunto.
A britânica Gertrude Jekyll foi uma das “jardineiras” mais famosas cuja influência utrapassou as fronteiras do seu país, chegando aos Estados Unidos onde terão ficado marcas nos primeiros desenvolvimentos e na institucionalização académica e profissional da Arquitectura Paisagista.


Em Portugal, o primeiro curso nesta área, nos anos 40, começou com um grupo 100% masculino.

1 - Alunos do ISA no Restaurante Trindade celebrando a conclusão do curso de Azevedo Coutinho, o primeiro arquitecto paisagista formado no ISA. 2 - Os alunos de Arquitectura Paisagista em viagem de estudo nos anos 60 acompanhados por Caldeira Cabral, Edgar Fontes e Marques Moreira. in Teresa Andresen (coord.) (2003) Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian - Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de arquitectos paisagistas (1940-1970)

Nos anos 60 esta predominância já estava esbatida e na transição do milénio o domínio feminino comprova-se pela percentagem de novos diplomados. Como exemplo expressivo, a amostra relativa aos alunos finalistas do curso de Arquitectura Paisagista do Instituto Superior de Agronomia revela que 108 (78%) dos 139 autores de trabalhos finais aprovados entre 1992 e 2002, foram mulheres.

Referências bibliográficas sobre Mulheres e Arquitectura Paisagista

Jardins em movimento

E os nossos olhos também, "Googlando" pela Terra até Paris, ao Parque André Citroen. Gilles Clément, que há 4 anos marcou o Congresso do ECLAS, na F.C. Gulbenkian, com uma "entusiasmante" comunicação, foi um dos principais autores.

O conceito de "jardim em movimento", uma das ideias mais interessantes deste "Jardineiro" (ele assim se define), deveria (deverá?) mudar a forma de nos relacionarmos com o mundo natural, desde logo na forma como se projectam e mantêm os jardins. Propõe uma atitude menos impositiva da mão humana relativamente à Natureza, aproveitando-se mais/contrariando-se menos as tendências de evolução, nomeadamente da vegetação. No fundo, a ideia simples (aparentemente) de trabalhar mais com e menos contra as forças naturais.

"It is understandable and perhaps even inevitable that professionals who shape space today, having no experience in observing nature much less any ongoing complicity with visible living matter - although they make use of it - have fallen back onto the only elements at their disposal: shapes, colours, textures and smells organized into pictures. Thus arises the strange and dangerous gap between the world of science and that of the developers. In the current state of scientific discourse, there is a real barrier between those who exert an influence on the environment and those who know what it is made of.(...)
How can we bring about a future rich enough in tolerance to conceive of spaces where nature collaborates with humankind rather than be seen as an obstacle to our desires?"


Gilles Clément (2005), «Landscape design and the biosfhere - conflict or complicity?», in Vista, The Culture and Politics of Gardens, edited by Tim Richardson & Noel Kingsbury