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Verdura é frescura

A criação de parques e de jardins nas cidades foi durante muito tempo defendida como um meio de regenerar a qualidade do ar, muito poluído, primeiro principalmente pela indústria e mais tarde pela intensa circulação automóvel. É pelo relevo dado a essa função que esses espaços se designam muitas vezes por "pulmões" da cidade.

Hoje, com o aquecimento global na ordem do dia, a contribuição da vegetação para o micro(?)clima urbano, nomeadamente pela diminuição de temperatura e pelo aumento da humidade do ar que provoca, é um motivo cada vez mais forte para se construirem mais espaços verdes nas cidades.

Um estudo recente realizado na Universidade de Manchester (também citado aqui e aqui) estimou que com mais 10% de espaços verdes nos centros urbanos (ou em Manchester, que foi a cidade estudada) a sua temperatura média descerá 4 graus, o mesmo valor que algumas previsões indicam para o aumento da temperatura global, nos próximos 75 anos:

"Esta redução tem implicações importantes na saúde e no conforto humano em áreas urbanas e devem ser criadas oportunidades para aumentar a cobertura por espaços verdes quando são feitas mudanças estruturais nas áreas urbanas, assim como plantar mais árvores nas ruas e construir terraços com vegetação"


Em Portugal este tema tem sido estudado, nomeadamente por investigadores do CEG da Faculdade de Letras que realizaram para a revisão do PDM de Lisboa o estudo "Avaliação climática para o ordenamento" (pdf). O efeito do Parque Florestal de Monsanto é, naturalmente, o mais notório. Curiosamente, a diferença entre as duas áreas onde se registaram as temperaturas médias nocturnas extremas, o Parque de Monsanto e a Baixa, também é de cerca de 4 graus.

Ilha de calor nocturna de Lisboa in Avaliação climática para o ordenamento (Alcoforado et al., 2005) e fotog. satélite Google Earth

No centro da cidade, dada a falta de espaço disponível, as árvores de arruamento, os logradouros e, em alguns casos (talvez o meu também...), os terraços, são formas de aumentar a área de espaços verdes existente. Não há dúvida, portanto, que é um assunto relacionado com a melhoria dos espaços públicos, semi públicos e privados. Mas o interesse é de todos.
Agora que Lisboa vai ter um Verão especialmente quente (ondas de calor, eleições, etc...) atenção à frescura - e consistência - das propostas sobre o tema.

Camões Park(ing)

A iniciativa de instalar relva no Largo de Camões, na semana da nossa Primavera, para além de permitir a muita gente disfrutar melhor desta praça do coração da capital, comprova a importância de alguns aspectos fundamentais que caracterizam os bons espaços públicos (que estão, obviamente, interligados):

lugares para estar (em pé, sentado, deitado ...) / sol e sombras / conforto / socialização / actividades

a forma como está feita a exposição dos painéis com fotografias de Maria da Conceição Neupharth (dos murais revolucionários do pós 25 de Abril), que são transportados pelo Largo, ao encontro de quem pára, mais do que diferente, é uma bela maneira de tocar nas pessoas.



É caso para dizer: Todos ao Camões!

(Contra o Pavimento/Ofensiva Natural) ----------- just joking!!!

Fotos de hoje, às 14 e 30

Muitas palmas para quem ajudou a realizar esta iniciativa, no CEM, na CML,....

Para fazer pensar mais na qualidade e no tipo de espaços públicos que temos, que querem(os), que fazem(os)...

Mais referências ao acontecimento: CEM (pdf); Notícia JN; mildio; janela - vejo; ultraperiferico; cronicas da lavandaria; o verdete; mulher bala; mmux; acrfenitaleiria; maosverdes; benny bunny; invisiblered;

Histórias parecidas já aqui vistas: Park(ing)- S. Francisco e "The subversive architects - Londres"

Jardinar com Vídeos

Videoteca inaugurada

Um pouco na sequência do post anterior, valorizando a difusão de informação, cria-se uma “videoteca” (ou seja uma recolha de links) de documentos vídeo de alguma forma relacionados com o planeamento e a gestão dos espaços verdes das grandes cidades. A abrangência temática será grande, tendo em conta que a quantidade de material conhecido e disponível não é, para já, muito abundante.
Propõe-se que, com uma regularidade mensal (às segundas segundas-feiras) sejam colocados links para o visionamento de alguns vídeos, juntamente com pequenos comentários de apresentação.
É guardada a referência a cada documento na respectiva secção de links (Videoteca), enquanto a fonte os mantiver disponíveis.

- Clicar no título para iniciar visionamento -

1 - Friends of the High Line - 1 (7.05 min.) disponível desde hoje

2 - Friends of the High Line - 2 (6.22 min) - disponível desde 27.11.06


Friends of the High Line apresentam um conjunto de depoimentos (alguns repetidos) sobre o projecto de transformação duma linha de comboio desactivada num parque linear, que inclui a criação de um vasto conjunto de equipamentos na sua proximidade e que está a revitalizar toda a área envolvente, no centro de Manhattan. A sua destruição esteve iminente no final de 2001 mas foi evitada pela preserverança dos "Friends of the High Line", criados em 1999 para promover a sua recuperação, entretanto assumida e apoiada também pela administração da cidade.

3 - Friends of the High Line - NY 1 (3.02 min.) - disponível desde hoje

Notícia de 22.10.2004 no canal local NY 1.


4 - Friends of the High Line - CBS (2.13 min.) - disponível desde hoje

Notícia de 6.10.2004 no canal CBS.


5 - The subversive architects (7.09 min.) - disponível desde 08.02.07

Fotos em *

O que é a cidade? O que deve ser? Como pode ser melhorada?
"The subversive architects" documenta uma transformação temporária de um espaço público de Londres, encomendada à equipa de arquitectos “office for subversive architecture” , que aqui realiza uma intervenção que tem como um dos principais objectivos suscitar a discussão e a reflexão sobre a qualidade do espaço urbano. “Melhorar um espaço significa também que as pessoas começem a pensar nele...”.

Extra - Jack in the Green

(2.31 min.) - disponível desde 08.06.06

Jack in the Green é o nome de uma canção dos Jethro Tull, do albúm “Songs from the Wood” , gravada em 1977 e aqui apresentada num espectáculo ao vivo no ano seguinte. Jack in the Green era uma das personagens das tradicionais festas inglesas de Maio, representada com uma cobertura de folhas piramidal ou cónica e simbolizando um espírito protector da floresta. Por reprovação dos Vitorianos, no século XIX, foi-se perdendo o hábito de incluí-la nas referidas festividades. (deixou de estar disponível - alterado para outro registo, com 2.33 min., de 1982, disponível desde 23.03.2007)

Adormecer e acordar com a...Natureza

Filósofos na cabeceira


Ansel Adams, Oak Tree, Snowstorm,Yosemite National Park, 1948

(a acordar) A arte de viajar, Alain de Botton

"Wordsworth* gostava de se sentar de baixo dos carvalhos, a escutar a chuva ou a contemplar os raios de sol que vinham quebrar-se entre as folhas das árvores e os seus ramos. A dignidade e a paciência que descobria nelas pareciam-lhe marcas distintivas da obra da natureza, na sua admirável persistência:


frente ao espírito embriagado

Pelos objectos presentes, e a agitada

Dança de quanto passa, a imagem sóbria

Das coisas que perduram

A natureza, segundo pensava, infundia-nos a disposição de buscarmos na vida e uns nos outros "quanto há de bom e desejável". Era uma "imagem de recta razão", de molde a moderar os impulsos distorcidos da vida urbana"

* "Sobre William Wordsworth"

(a adormecer) Natures et villes en mouvement - Chris Younès

"Le désert, la mer, la montagne, les «espaces sauvages» sont des figures de la nature qui attirent non seulement les écrivains ou les artistes, mais nombres de citadins. Ils symbolisent des formes de confrontation au Grand Dehors, qui déborde la maîtrise de l'homme mais avec lequel il doit s'expliquer. Cet intéret pour la nature n'est pas à confondre avec une nostalgie de la vie villageoise ou avec un refus de la ville. Il s'agit le plus souvent d'une recherche pour habiter um monde urbain en connivence avec la nature, ce qui ouvre au sens de l'existence humaine.
(...) L'art des établissements humains a toujours oscillé entre trois positionnements quant à l'environnement naturel: maitriser, se tenir à distance et entrelacer. (...)
La nature est une forte puissance de genèse, d'émotions, d'imaginaires, de valeurs. Elle suscite une création urbano-architecturale et paysagère, support de nouvelles relations et stratégies imbriquant l'artefact et la phusis. L'environnement naturel peut devenir non plus une victime de l'urbain, mais une amie dont il y a lieu de prendre soin. Cette mutation est à l'ouvre dans la constitution de limites du bâti, dans l'accompagnement et le «frottement indolore» avec les infrastructures, le souci du local, l'éco-architecture...autant de choses absentes dans les développements de la ville moderne. (...)"