Onde é?
Um dos últimos paraísos perdidos, às portas da capital. Verde em perda acentuada.
Privados ma n'on troppo
O Google Earth ajuda-nos a observar cada vez mais e melhor.
Para quem tem a observação do espaço como instrumento privilegiado de trabalho, é o que se pode considerar uma dádiva dos céus!
Entre muitas outras coisas, permite-nos ter uma melhor percepção dos jardins e outros ditos espaços verdes, com que se fazem as cidades.
A criação de parques e de jardins nas cidades foi durante muito tempo defendida como um meio de regenerar a qualidade do ar, muito poluído, primeiro principalmente pela indústria e mais tarde pela intensa circulação automóvel. É pelo relevo dado a essa função que esses espaços se designam muitas vezes por "pulmões" da cidade.
Hoje, com o aquecimento global na ordem do dia, a contribuição da vegetação para o micro(?)clima urbano, nomeadamente pela diminuição de temperatura e pelo aumento da humidade do ar que provoca, é um motivo cada vez mais forte para se construirem mais espaços verdes nas cidades.
Um estudo recente realizado na Universidade de Manchester (também citado aqui e aqui) estimou que com mais 10% de espaços verdes nos centros urbanos (ou em Manchester, que foi a cidade estudada) a sua temperatura média descerá 4 graus, o mesmo valor que algumas previsões indicam para o aumento da temperatura global, nos próximos 75 anos:
"Esta redução tem implicações importantes na saúde e no conforto humano em áreas urbanas e devem ser criadas oportunidades para aumentar a cobertura por espaços verdes quando são feitas mudanças estruturais nas áreas urbanas, assim como plantar mais árvores nas ruas e construir terraços com vegetação"
O conceito de "jardim em movimento", uma das ideias mais interessantes deste "Jardineiro" (ele assim se define), deveria (deverá?) mudar a forma de nos relacionarmos com o mundo natural, desde logo na forma como se projectam e mantêm os jardins. Propõe uma atitude menos impositiva da mão humana relativamente à Natureza, aproveitando-se mais/contrariando-se menos as tendências de evolução, nomeadamente da vegetação. No fundo, a ideia simples (aparentemente) de trabalhar mais com e menos contra as forças naturais.