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Vazios cheios de verde - 6


Onde é?

Um dos últimos paraísos perdidos, às portas da capital. Verde em perda acentuada.

Vazios cheios de verde - 5


Onde é?

Um rectângulo que até parece um parque.

Vazios cheios de Verde - 4

Onde é?

Junto à "auto-estrada" urbana "redonda".

Vazios cheios de Verde - 3

Onde é?

Um inacabado trevo de quatro folhas...verde de espera.

Vazios cheios de verde - 2



Onde é?

Era para ter outro uso, já há muito tempo. Entretanto, do vazio se fizeram hortas.

Vazios Cheios de Verde - 1


Onde é?

Estes vazios cheios de verde são espaços no interior da cidade (Lx e concelhos contíguos), com poucos ou nenhuns edifícios e predomínio de solo permeável coberto por vegetação (nem sempre verde). Alguns estão só à espera de outra ocupação: edifícios para habitação, para escritórios, estradas por acabar, armazéns, parques urbanos ... e enquanto se espera, a vegetação instala-se, espontânea ou pela mão do homem, neste caso principalmente para a produção de alguns alimentos.
Representam também pequenas (grandes) oportunidades para melhorar o ambiente da cidade e dar mais consistência à estrutura ecológica urbana.

(Em Lisboa e à volta - as imagens do Google parecem ser de Maio/Junho 2004, pelo que alguns poderão não estar já tão vazios assim)

Ó Google nas alturas

Jardins privados em Haia


Privados ma n'on troppo

O Google Earth ajuda-nos a observar cada vez mais e melhor.

Para quem tem a observação do espaço como instrumento privilegiado de trabalho, é o que se pode considerar uma dádiva dos céus!

Entre muitas outras coisas, permite-nos ter uma melhor percepção dos jardins e outros ditos espaços verdes, com que se fazem as cidades.

Verdura é frescura

A criação de parques e de jardins nas cidades foi durante muito tempo defendida como um meio de regenerar a qualidade do ar, muito poluído, primeiro principalmente pela indústria e mais tarde pela intensa circulação automóvel. É pelo relevo dado a essa função que esses espaços se designam muitas vezes por "pulmões" da cidade.

Hoje, com o aquecimento global na ordem do dia, a contribuição da vegetação para o micro(?)clima urbano, nomeadamente pela diminuição de temperatura e pelo aumento da humidade do ar que provoca, é um motivo cada vez mais forte para se construirem mais espaços verdes nas cidades.

Um estudo recente realizado na Universidade de Manchester (também citado aqui e aqui) estimou que com mais 10% de espaços verdes nos centros urbanos (ou em Manchester, que foi a cidade estudada) a sua temperatura média descerá 4 graus, o mesmo valor que algumas previsões indicam para o aumento da temperatura global, nos próximos 75 anos:

"Esta redução tem implicações importantes na saúde e no conforto humano em áreas urbanas e devem ser criadas oportunidades para aumentar a cobertura por espaços verdes quando são feitas mudanças estruturais nas áreas urbanas, assim como plantar mais árvores nas ruas e construir terraços com vegetação"


Em Portugal este tema tem sido estudado, nomeadamente por investigadores do CEG da Faculdade de Letras que realizaram para a revisão do PDM de Lisboa o estudo "Avaliação climática para o ordenamento" (pdf). O efeito do Parque Florestal de Monsanto é, naturalmente, o mais notório. Curiosamente, a diferença entre as duas áreas onde se registaram as temperaturas médias nocturnas extremas, o Parque de Monsanto e a Baixa, também é de cerca de 4 graus.

Ilha de calor nocturna de Lisboa in Avaliação climática para o ordenamento (Alcoforado et al., 2005) e fotog. satélite Google Earth

No centro da cidade, dada a falta de espaço disponível, as árvores de arruamento, os logradouros e, em alguns casos (talvez o meu também...), os terraços, são formas de aumentar a área de espaços verdes existente. Não há dúvida, portanto, que é um assunto relacionado com a melhoria dos espaços públicos, semi públicos e privados. Mas o interesse é de todos.
Agora que Lisboa vai ter um Verão especialmente quente (ondas de calor, eleições, etc...) atenção à frescura - e consistência - das propostas sobre o tema.

União pelo ambiente urbano

Dia da União Europeia (57 anos de vida) / Dia 0 em Lisboa

Boa altura para relembrar a "Resolução legislativa do Parlamento Europeu sobre uma estratégia temática sobre ambiente urbano" aprovada em Setembro de 2006.

Que, entre muitas outras coisas:

Considera que a Comissão - em cooperação com as autoridades nacionais - deve incentivar todas as aglomerações com mais de 100 000 habitantes a elaborarem um plano de gestão urbana sustentável (PGUS) e um plano de transportes urbanos sustentáveis (PTUS);(§7)

Salienta que os cidadãos, as ONG, as associações empresariais e outras partes interessadas devem ser associadas à preparação dos PGUS, planos esses que devem ser colocados à disposição do público; considera, além disso, que a avaliação regular dos progressos realizados e a divulgação dos resultados de tais avaliações são igualmente essenciais;(§11)

Convida a Comissão a propor um objectivo para espaços verdes per capita em novas zonas de desenvolvimento urbano e considera que esse objectivo deve ser incluído nos PGUS, por forma a impedir qualquer redução dos espaços verdes em zonas urbanas que não atinjam este objectivo;(§13)

Insta os Estados-Membros a conferirem prioridade, no âmbito dos seus quadros de referência estratégicos nacionais e dos seus programas operacionais, ao financiamento de projectos que implementem planos de gestão urbana e de transporte sustentáveis, assim como a projectos que limitem a construção em espaços não urbanizados e promovam a construção em terrenos industriais abandonados, e a promoverem a plantação de árvores nas ruas e a concepção de mais zonas verdes;(§14)

Salienta igualmente a dimensão social de um planeamento urbanístico sustentável e recomenda a promoção geral da qualidade de vida nos centros urbanos, adoptando uma abordagem holística (em particular social, cultural e ambiental);(§36)

Propõe que o planeamento urbano inclua uma maior oferta de espaços verdes e que, nos processos de expansão e de novas urbanizações, se deixe amplos espaços naturais, a fim de facilitar o convívio dos cidadãos com a natureza; (§38)


notícias: Parl. Europeu ; diário digital

Com mais ou menos incentivos, cabe às administrações municipais fazerem o trabalho fundamental.
Era bom ter Lisboa a marcar pontos neste capítulo.


Foi ontem aprovada por unanimidade pela Comissão Permanente para o Acompanhamento da Revisão do Plano Director Municipal da Assembleia Municipal de Lisboa uma recomendação para integrar o Plano Verde de Gonçalo Ribeiro Telles no processo de revisão do Plano Director Municipal em curso.

Em Portugal, foi um trabalho pioneiro, em termos de planeamento, nomeadamente ao introduzir a figura de Estrutura Ecológica Urbana, só contemplada na legislação a partir do novo regime jurídico aprovado em 1999.

Sendo um documento que já está na adolescência (tem mais de 14 anos), espera-se que nos próximos anos o possam(os) tornar um adulto mais desenvolvido e realizado (apesar de não ter tido uma infância muito feliz!)


Jardins em movimento

E os nossos olhos também, "Googlando" pela Terra até Paris, ao Parque André Citroen. Gilles Clément, que há 4 anos marcou o Congresso do ECLAS, na F.C. Gulbenkian, com uma "entusiasmante" comunicação, foi um dos principais autores.

O conceito de "jardim em movimento", uma das ideias mais interessantes deste "Jardineiro" (ele assim se define), deveria (deverá?) mudar a forma de nos relacionarmos com o mundo natural, desde logo na forma como se projectam e mantêm os jardins. Propõe uma atitude menos impositiva da mão humana relativamente à Natureza, aproveitando-se mais/contrariando-se menos as tendências de evolução, nomeadamente da vegetação. No fundo, a ideia simples (aparentemente) de trabalhar mais com e menos contra as forças naturais.

"It is understandable and perhaps even inevitable that professionals who shape space today, having no experience in observing nature much less any ongoing complicity with visible living matter - although they make use of it - have fallen back onto the only elements at their disposal: shapes, colours, textures and smells organized into pictures. Thus arises the strange and dangerous gap between the world of science and that of the developers. In the current state of scientific discourse, there is a real barrier between those who exert an influence on the environment and those who know what it is made of.(...)
How can we bring about a future rich enough in tolerance to conceive of spaces where nature collaborates with humankind rather than be seen as an obstacle to our desires?"


Gilles Clément (2005), «Landscape design and the biosfhere - conflict or complicity?», in Vista, The Culture and Politics of Gardens, edited by Tim Richardson & Noel Kingsbury