
Estrutura Ecológica da Paisagem
Estrutura Ecológica da Paisagem - Instrumento de Ordenamento do Território
No auditório da Lagoa Branca (com algumas disfuncionalidades "modernas" - reduzido espaço junto às saídas a provocar "engarrafamentos" de participantes e inexistência de casas de banho adaptadas a cadeiras de rodas!), um dia cheio sobre um dos instrumentos mais importantes para, nos próximos anos, se desenvolver o país ao mesmo tempo que se adequa melhor a ocupação do território aos recursos naturais e se melhora a paisagem.
Mais uma vez, a noção clara de se estar num momento decisivo.
Com muito caminho percorrido, o corpo de saberes e instrumentos de acção de que hoje se dispõe só pode prefigurar um país melhor para os que estão agora a nascer (um pouco de fé à saída da Primavera...).
Palavras do mestre, que continua a chamar a atenção para aspectos essenciais (notas soltas):
"Cícero falava em duas naturezas primordiais, a original e uma segunda, por acção do homem...o grande problema actual é como é que através do planeamento se consegue recriar a natureza primordial (...) a grande função da estrutura ecológica é articular os espaços utilizados pela agricultura de produção (...) não interessa o "paisagismo" mas sim a "arquitectura da paisagem" (...) a estrutura ecológica deve ser planeada nas diversas escalas (...) é uma abertura a uma nova visão de planear, em termos de objecto(...)" G.R.T.
Durante o Seminário, foi apresentado e lançado o livro:
União pelo ambiente urbano
Boa altura para relembrar a "Resolução legislativa do Parlamento Europeu sobre uma estratégia temática sobre ambiente urbano" aprovada em Setembro de 2006.
Que, entre muitas outras coisas:
Considera que a Comissão - em cooperação com as autoridades nacionais - deve incentivar todas as aglomerações com mais de 100 000 habitantes a elaborarem um plano de gestão urbana sustentável (PGUS) e um plano de transportes urbanos sustentáveis (PTUS);(§7)
Salienta que os cidadãos, as ONG, as associações empresariais e outras partes interessadas devem ser associadas à preparação dos PGUS, planos esses que devem ser colocados à disposição do público; considera, além disso, que a avaliação regular dos progressos realizados e a divulgação dos resultados de tais avaliações são igualmente essenciais;(§11)
Convida a Comissão a propor um objectivo para espaços verdes per capita em novas zonas de desenvolvimento urbano e considera que esse objectivo deve ser incluído nos PGUS, por forma a impedir qualquer redução dos espaços verdes em zonas urbanas que não atinjam este objectivo;(§13)
Insta os Estados-Membros a conferirem prioridade, no âmbito dos seus quadros de referência estratégicos nacionais e dos seus programas operacionais, ao financiamento de projectos que implementem planos de gestão urbana e de transporte sustentáveis, assim como a projectos que limitem a construção em espaços não urbanizados e promovam a construção em terrenos industriais abandonados, e a promoverem a plantação de árvores nas ruas e a concepção de mais zonas verdes;(§14)
Salienta igualmente a dimensão social de um planeamento urbanístico sustentável e recomenda a promoção geral da qualidade de vida nos centros urbanos, adoptando uma abordagem holística (em particular social, cultural e ambiental);(§36)
Propõe que o planeamento urbano inclua uma maior oferta de espaços verdes e que, nos processos de expansão e de novas urbanizações, se deixe amplos espaços naturais, a fim de facilitar o convívio dos cidadãos com a natureza; (§38)
notícias: Parl. Europeu ; diário digital
Com mais ou menos incentivos, cabe às administrações municipais fazerem o trabalho fundamental.
Era bom ter Lisboa a marcar pontos neste capítulo.
Foi ontem aprovada por unanimidade pela Comissão Permanente para o Acompanhamento da Revisão do Plano Director Municipal da Assembleia Municipal de Lisboa uma recomendação para integrar o Plano Verde de Gonçalo Ribeiro Telles no processo de revisão do Plano Director Municipal em curso.
Em Portugal, foi um trabalho pioneiro, em termos de planeamento, nomeadamente ao introduzir a figura de Estrutura Ecológica Urbana, só contemplada na legislação a partir do novo regime jurídico aprovado em 1999.
Sendo um documento que já está na adolescência (tem mais de 14 anos), espera-se que nos próximos anos o possam(os) tornar um adulto mais desenvolvido e realizado (apesar de não ter tido uma infância muito feliz!)
Visita a obras de Engª Natural em Monsanto
A Associação Portuguesa de Engenharia Natural (APEN) organizou esta manhã uma visita a obras de Engenharia Natural no Parque Florestal de Monsanto (Lisboa).
Oportunidade para conhecer intervenções feitas já há cerca de 15 anos (no Parque Ecológico e noutros locais do P.F. de Monsanto) e também a aplicação experimental de várias técnicas (regularização de ribeiras, estabilização de taludes e construção de faixas de vegetação) por parte de alguns membros da associação e de outros voluntários, no âmbito de workshops realizados no ano passado.
Estes métodos de construção têm sido muito desenvolvidos nos países do centro da Europa (principalmente Áustria, Alemanha e Itália). Há 16 anos, em Copenhaga, visitei vários espaços verdes onde eram aplicados e havia vontade para que o fossem cada vez mais.
Em Portugal, apesar de não ser uma novidade, a utilização destas técnicas é ainda muito incipiente.
A APEN vai realizar a primeira Assembleia Geral este Sábado. Que tenha um crescimento rápido e profícuo!
Ligações: APEN, Blogue Engenharia verde, Artigo de Vasco Rocha na Naturlink
Jardinando na Trienal dos Vazios
Atenção especial a duas das quinze "intervenções na cidade" que fazem parte da programação da Trienal de Arquitectura de Lisboa
A Cidade como teatro de espectáculos; o vazio como palco de operações - Maria João Fonseca
A acção do cidadão enquanto interveniente activo na construção de vivências e espaços é urgente e cada vez mais necessária.
A capacidade do poder local em manter toda a cidade operacional e funcional é diminuta, estando o desenvolvimento em meio urbano cada vez mais nas mãos de investidores privados e de iniciativas individuais.
Cada cidadão tem o direito de intervir na construção dos espaços da sua cidade, porque a cidade é de todos e é para todos. (...)
Justificação da escolha pela organização: Pelo modo como aborda a cidade a partir de uma acção simples e acessível a todos: a plantação de árvores em espaços degradados (como por exemplo o Miradouro da Travessa das Terras do Monte). Através desta acção, a proposta assume um manifesto pela participação colectiva na construção da cidade a partir de pequenos mas simbólicos gestos. A proposta teve ainda o mérito de não se ficar pela teoria
ECO-KIT Praça da Alegria/Lisboa – Moov
(...) ECO-kit propõe a introdução de um dispositivo adaptável e móvel que se pode implementar e deslocar conforme as necessidades da cartografia variável dos vazios urbanos. Esse dispositivo é materializado numa série de elementos estruturais sobre os quais são montados diversos módulos produtivos que permitem a captação de energia solar, eólica, de água ou o suporte a diversas espécies vegetais. Em complemento às suas funções produtivas cada conjunto de elementos pode ainda albergar programas complementares como espaços de lazer, áreas wireless e zonas pedagógicas que contribuem para uma intensificação social dos lugares onde são inseridos.
Justificação da escolha pela organização: Proposta de estrutura “eco-kit” que reclama atenção para as questões da sustentabilidade e das energias renováveis. Estrutura teoricamente adaptável a qualquer vazio urbano, teoricamente transportável, constituída por diversos módulos, mais do que a eficiência terá por mérito reclamar a visibilidade de uma questão inadiável.
Jardin.ando com vídeos - 3
Ainda sob o mote da natureza em movimento, mas neste caso através da acção de um grupo de cidadãos de S. Francisco (Rebar), um trailer sobre a "instalação" (em 16 de Novembro de 2005) de um pequeno espaço verde num lugar de estacionamento, brincando com o duplo significado de "parking"
1 - Park(ing) 1 (1.52 min.) disponível desde 23 de Novembro de 2006
2 - Park(ing) 2 (4 min) disponível no site dos "fundadores" da ideia
a ideia foi adoptada no ano seguinte por muitos outros grupos que, no dia internacional sem carros e utilizando apenas meios de transporte movidos a "energia humana", instalaram vários espaços semelhantes
Este vídeo está disponível, ao lado de muitos outros, nesta página da NYC Streets Renaissance, uma organização que promove, com diversas acções, o melhor aproveitamento da rua como espaço público por excelência, defendendo que "se continuarmos a planear as nossas ruas para os carros e para o tráfico, teremos mais carros e mais tráfico, pelo contrário, se começarmos a planear as nossas cidades para as pessoas e para os lugares, teremos mais pessoas e mais lugares" . Parece óbvio...
3 - Park(ing) 3 (6.51 min.) disponível na Street Films Video Gallery
As hortas urbanas continuam (e, certamente, continuarão) a ser assunto de notícia, de debate e também de projectos.
Estes documentos mostram algumas experiências sobre o assunto, sempre interessantes de conhecer, até porque em todo o lado, as vantagens e os problemas têm muito em comum.
Percebe-se que é necessário alguma organização ..... e que a articulação com a administração local funcione positivamente. É um facto que há municípios que já reconheceram as vantagens e são eles próprios a estimularem estes projectos, como é o caso de Paris e de Vancouver.
Em "Oaklands" acompanhamos a descrição de um "jardim comunitário" por uma das suas dinamizadoras. Mais informação em: oaklandsol.org
4 - Oakland's Sol (5,21 min.) disponível desde 30 de Agosto de 2006
"Brooks Park Art" é uma descrição de um parque comunitário em São Francisco por Peter Vaernet, um dos seus principais mentores. Educação ambiental, ecologia urbana, artes plásticas, desportos, são algumas das múltiplas actividades que o parque suporta. Lugar de socialização, contribuindo para o reforço do sentido de comunidade do bairro, é mais um exemplo de um modelo de espaços verdes com muitas virtualidades e custos de manutenção reduzidos.
5 - Brooks Park Art (8.31 min.) disponível desde 18 de Janeiro de 2007
Em "Friends of Brook Green Team Mentoring Program" é apresentado um "jardim comunitário" por um dos jovens que nele participa, através de um projecto centrado na função pedagógica e social que estas hortas urbanas podem desempenhar.
6 - Friends of Brook Green Team Mentoring Program (6.56 min.) disponível desde 24 de Agosto de 2006
Blog sobre o assunto:lifeisland
7 - Hortas em Londres e Jogos Olímpicos (8.20 min.) disponível desde 20 de Dezembro de 2006
Mais informações sobre os jardins comunitários em Vancouver: Jardins de bairro (onde está também o “MOBY”, documentado num dos vídeos aqui postos em 12 de Março e sobre o qual há mais informação neste link)
Ainda um blog sobre os Jardins partagés de Paris ( jardins partagés ) e um site com muita informação sobre este assunto (jardinons.com) .
Extra - Ralph Towner - Jamaica Stopover e Veldt (estepe)
Um criativo jardineiro de sons, guitarrista de referência, que conheci através do nosso, de "igual calibre", José Peixoto
Natureza urbana em movimento - 3
A namorarem(-me) à janela e a verem o movimento
Não faltam exemplos da capacidade de mobilidade da vegetação, que se instala, clandestinamente, mesmo em ambientes aparentemente pouco acolhedores, como esta rua movimentada do centro da cidade - é o conceito de jardim em movimento, de Gilles Clément, levado aqui ao extremo, na janela do lojista.
Natureza urbana em movimento - 2
... e no meio do movimento.
Av. Almirante Reis, 30.03.07
Av. Almirante Reis, 1907 (Joshua Benoliel) e Av. Almirante Reis, 03.04.2007 (J. Daniel)
Há 100 anos, passeios laterais mais estreitos, separador central mais largo... outro movimento.
"A concepção de uma rua é o desejo de concretizar ideias e imagens que o sítio e o programa inspiram ao urbanista. Para além dos aspectos estritamente técnicos é preciso o gesto que dá alma à rua."
Normas urbanísticas, vol. II, Sidónio Pardal
esta é uma das Avenidas carentes de gestos assim.
Jardins em movimento
O conceito de "jardim em movimento", uma das ideias mais interessantes deste "Jardineiro" (ele assim se define), deveria (deverá?) mudar a forma de nos relacionarmos com o mundo natural, desde logo na forma como se projectam e mantêm os jardins. Propõe uma atitude menos impositiva da mão humana relativamente à Natureza, aproveitando-se mais/contrariando-se menos as tendências de evolução, nomeadamente da vegetação. No fundo, a ideia simples (aparentemente) de trabalhar mais com e menos contra as forças naturais."It is understandable and perhaps even inevitable that professionals who shape space today, having no experience in observing nature much less any ongoing complicity with visible living matter - although they make use of it - have fallen back onto the only elements at their disposal: shapes, colours, textures and smells organized into pictures. Thus arises the strange and dangerous gap between the world of science and that of the developers. In the current state of scientific discourse, there is a real barrier between those who exert an influence on the environment and those who know what it is made of.(...)
How can we bring about a future rich enough in tolerance to conceive of spaces where nature collaborates with humankind rather than be seen as an obstacle to our desires?"
Parques Urbanos - Paris
Para os seres humanos, a natureza é rejuvenescedora. Afinal, a nossa espécie não floresceu numa paisagem urbana, mas em florestas e pradarias selvagens. Os nossos ouvidos não foram talhados para o grito penetrante das sirenes, mas para escutarem o discreto arranhar das patas de um predador e o uivo do vento a avisar mudança de tempo. Apurámos os nossos olhos para seleccionar não os monótonos matizes de cinzento da cidade, mas as delicadas tonalidades de amarelo-dourado, verde-azeitona e grená que assinalavam a existência de fruta madura e de folhas tenras. Quanto aos nossos cérebros, desenvolveram-se para satisfazer, com sensações de profundo prazer, os esforços dos nossos sentidos.
Terá sido por esta razão que os cidadãos de Paris se esforçam tanto por reaproveitar espaços urbanos mortos e quarteirões ao abandono, transformando-os em locais verdejantes e cheios de vida?
in Pulmões Urbanos, Jennifer Ackerman, National Geographic - Portugal, Outubro 2006 notícia na National Geographic Portugal





















