Vazios cheios de verde - 2



Onde é?

Era para ter outro uso, já há muito tempo. Entretanto, do vazio se fizeram hortas.

Vazios Cheios de Verde - 1


Onde é?

Estes vazios cheios de verde são espaços no interior da cidade (Lx e concelhos contíguos), com poucos ou nenhuns edifícios e predomínio de solo permeável coberto por vegetação (nem sempre verde). Alguns estão só à espera de outra ocupação: edifícios para habitação, para escritórios, estradas por acabar, armazéns, parques urbanos ... e enquanto se espera, a vegetação instala-se, espontânea ou pela mão do homem, neste caso principalmente para a produção de alguns alimentos.
Representam também pequenas (grandes) oportunidades para melhorar o ambiente da cidade e dar mais consistência à estrutura ecológica urbana.

(Em Lisboa e à volta - as imagens do Google parecem ser de Maio/Junho 2004, pelo que alguns poderão não estar já tão vazios assim)

Estrutura Ecológica da Paisagem

Seminário e Livro - 18 de Junho de 2007 - Auditório da Lagoa Branca - Tapada da Ajuda
Estrutura Ecológica da Paisagem - Instrumento de Ordenamento do Território

No auditório da Lagoa Branca (com algumas disfuncionalidades "modernas" - reduzido espaço junto às saídas a provocar "engarrafamentos" de participantes e inexistência de casas de banho adaptadas a cadeiras de rodas!), um dia cheio sobre um dos instrumentos mais importantes para, nos próximos anos, se desenvolver o país ao mesmo tempo que se adequa melhor a ocupação do território aos recursos naturais e se melhora a paisagem.

Mais uma vez, a noção clara de se estar num momento decisivo.

Com muito caminho percorrido, o corpo de saberes e instrumentos de acção de que hoje se dispõe só pode prefigurar um país melhor para os que estão agora a nascer (um pouco de fé à saída da Primavera...).

Palavras do mestre, que continua a chamar a atenção para aspectos essenciais (notas soltas):

"Cícero falava em duas naturezas primordiais, a original e uma segunda, por acção do homem...o grande problema actual é como é que através do planeamento se consegue recriar a natureza primordial (...) a grande função da estrutura ecológica é articular os espaços utilizados pela agricultura de produção (...) não interessa o "paisagismo" mas sim a "arquitectura da paisagem" (...) a estrutura ecológica deve ser planeada nas diversas escalas (...) é uma abertura a uma nova visão de planear, em termos de objecto(...)" G.R.T.

Durante o Seminário, foi apresentado e lançado o livro:

Índice e apresentação do livro

Ó Google nas alturas

Jardins privados em Haia


Privados ma n'on troppo

O Google Earth ajuda-nos a observar cada vez mais e melhor.

Para quem tem a observação do espaço como instrumento privilegiado de trabalho, é o que se pode considerar uma dádiva dos céus!

Entre muitas outras coisas, permite-nos ter uma melhor percepção dos jardins e outros ditos espaços verdes, com que se fazem as cidades.

Visar com Vídeos

imagem do artigo interpreting urban screens

Último pacote de vídeos da temporada - Desde Fevereiro que, às segundas segundas-feiras de cada mês, se deixaram aqui "pacotes" de ligações/links para pequenos vídeos disponíveis noutros sites, com breves apresentações (links reunidos na secção Videoteca) .

O principal objectivo foi comprovar a crescente importância deste meio de comunicação no apoio ao planeamento e à gestão de espaços verdes, quando bem utilizado pela administração (exº NY Gov. Parks ), por organizações não governamentais ( exº NNYN ), por cidadãos (exº canal alta 17b) ou por organizações que reúnam todos estes actores (exº NYCSR) para a desejável "cidade colaborativa".

Além disso, pretendeu-se facilitar a consulta de documentos sobre essa temática, ainda raros e muito dispersos.

Grupos, listas, páginas ou sites específicos com vídeos sobre temas ligados ao ambiente, global ou local, vão nascendo e/ou ganhando "volume" (exemplos: green TV ; green list na mefeedia; Quercus TV, desde 5 de Junho)

Hoje, destaque para um site que aloja pequenos videos de promoção de cidades (comércio, festivais, parques e jardins... ), donde se seleccionaram os seguintes 4:

1) Parque botânico (Papago Park), em Phoenix. (1,54 m.)

2) Visita guiada, em formato jogging, ao Central Park, N.Y. (2,53 m.)

3) Visita guiada, em formato musical, ao Golden G. Park, S. Franc. (3,37 m.)

4) Rico Fonseca, músico, apresenta Washington Park (3,26 m.)


5) Bono entrevistado em passeio pelo Central Park (4,55 m.)

6) Avionete Flying in Norman Park (3,14 m.)

Sem fazer concorrência ao Google earth, mas mostrando que o aeromodelismo pode servir também para ter uma visão aérea...das redondezas.

7) Canalta 17b
Um exemplo recente da utilização do vídeo como forma de abordar os problemas de um bairro pela perspectiva dos seus habitantes é o recentemente criado CanaLta 17b, uma iniciativa do autor do blog Viver na Alta de Lisboa , onde são colocados os vídeos produzidos.

A iniciativa foi apresentada em 15 de Maio: "O CanaLta 17b pretende assim mostrar duma forma nova aqui no blog as pessoas na cidade, a sua fruição, as interacções, algumas histórias de vida. Queremos ter um lado satírico, como num dos trailers já apresentados , mas também acrescentar outras expressões de Viver na Alta de Lisboa, umas mais contemplativas, como o outro trailer já apresentado, ou mesmo entrevistas de rua, o que exigirá de nós um trabalho completamente diferente do realizado até aqui. Mas como este blog é fruto de motivações pessoais e tem como condição sine qua non para a sua existênia e continuidade o prazer que nos dá a fazê-lo, é por esta linha que estamos agora também inclinados a ir. (extracto do post de apresentação )
Foram já disponibilizados vários vídeos de que este é apenas um exemplo.

EXTRA: Os Stones em Hyde Park, há 38 anos! - Honkey Tonk Women e em 1995, no Rio + Wild Horses, há 2 e em Tóquio (estúdio)


Linking Park - Portela pós-aeroporto

Trienal de Arquitectura: Exposição Paisagem

NUNO PORTAS + NPK
UTOPIA da REALIDADE


"a temporalidade das transformações espaciais, a forma como a cidade cresce: movimento, fluxos, energia e matéria."

“Utopia (a partir) da realidade”....significa considerar criticamente, reflexivamente, as oportunidades e condicionantes materiais de um lugar como suporte para alternativas construtivas de futuros próximos e previsíveis, sem comprometer outros, mais ambiciosos que as gerações seguintes sejam mais capazes de escolher! ’

JOÃO GOMES da SILVA e JOÃO L. CARRILHO DA GRAÇA
PLANALTO

‘A nova área central da Portela, afirma-se como deslocação da continuidade natural de Lisboa para o extremo do planalto(...). O extenso vazio central configura um novo espaço público que articula os desejos de continuidade dos corredores ecológicos há muito planeados, na configuração de um intenso vazio, que se afirma em contraste com um intenso edificado que se dilui progressivamente até ao novo limite do planalto da Cidade, em domínio dos amplos vales agrícolas dos rios Trancão e Tejo.’

Excertos do texto original e imagens publicados no catálogo oficial.

A possibilidade/previsibilidade da saída do aeroporto da Portela nos próximos 12 anos exige definição de objectivos para o destino a dar a esse "enorme bocado de cidade".

Não deixa de ser também um motivo de entusiasmo para quem sonha com uma cidade com melhor ambiente urbano o que, entre outras coisas, significa melhor ar, melhor mobilidade, melhor urbanismo e natureza (plantas, animais, água, terra...) melhor integrada no seu interior.

Melhorar o ambiente urbano é um dos factores que tem sido decisivo para todas as cidades que têm contado/querem contar com a instalação de actividades de alta qualificação para se desenvolverem.

Seria bom que uma das premissas do desenho urbano e da filosofia da intervenção para a Portela pós novo aeroporto fosse a valorização e o reforço da estrutura verde, nomeadamente com a criação de percursos facilitando as deslocações a pé e de bicicleta, no interior do espaço (plano) e ligando o melhor possível grandes espaços verdes pré-existentes ( 1 - Viveiros Olivais/Vale do Silêncio; 2 - Áreas verdes de protecção da 2ª Circular/acessos a Bairro dos Olivais e Parque da Bela Vista; 3 - Mata de Alvalade; 4 - LNEC/Hospital Júlio de Matos; 5 - Quinta das Conchas; 6 - Parque Oeste; 7 - Parque Periférico/Coroa Periférica Urbana/ QQ. Coisa Verde Periférica).

O primeiro Plano Director de Lisboa, também conhecido por Plano De Groer (o seu autor/coordenador), sugeria que as zonas de protecção do aeroporto podiam servir como terrenos de jogos e de desportos. De pasto serviram certamente, por muitos bons anos.

Terrenos junto ao aeroporto da Portela, fotografados por Arnaldo Madureira e Artur Goulart, 1960, Arquivo Municipal de Lx

O Plano Director dos anos 60/70 considerava que se devia prever a desafectação dos terrenos em que se implantava o aeroporto, como possível e desejável.

O que é indiscutível é que esse cenário (que estranhamente, pouco interesse e debate provocou até agora) representa a possibilidade de dar um salto gigante na qualidade de vida de Lisboa (e não só) e de "coser" uma parte da cidade dividida por uma enorme infraestrutura.

Nota lateral: voo mais baixo, mas mesmo assim alto, seria conseguir acabar entretanto com dois dos maiores bairros de barracas ainda existentes (Qª da Serra e Bº da Torre - a vermelho), que marcam presença à saída da cidade.

da estaca zero, renascer com árvores

Projecto para a reconstrução do "Ground Zero" - Nova Yorque

Na reconstrução do espaço anteriormente ocupado pelo World Trade Center (baptizado de Ground Zero), protagonismo de árvores e jardins.

Para além duma nova torre (torre da liberdade) o projecto prevê a construção dum "memorial" que, entre outras coisas, inclui dois grandes tanques no local das antigas torres gémeas. Um projecto que teve um processo de crescimento algo atribulado, com a versão inicial de Libeskind, aprovada em 2003, a ser bastante alterada, principalmente por causa de "preocupações de segurança, aspectos financeiros e opiniões dos familiares das vítimas" .

Master Plan de Daniel Libeskind para o Ground Zero

Em resultado da associação de Daniel com David Childs, também não isenta de polémica, resultou uma nova versão da torre principal, que abandonou um dos aspectos que tornavam particularmente interessante o projecto inicial: a construção de jardins no seu topo.

Michel Arad, o autor do projecto vencedor do concurso para a "Praça da Memória" (em baixo à esqª) que também provocou alguma polémica, contou com a colaboração de Peter Walker, um dos mais famosos paisagistas mundiais, para fazer a versão final que propõe a arborização da envolvente dos tanques.

Mais uma prova do cada vez maior reconhecimento da vegetação (nomeadamente as árvores) como elemento importante para criar bons espaços públicos (e resolver polémicas).

Não se fará o "Paraíso no Céu" mas pelo menos não se deixará de fazer um "Paraíso na Terra"... visto assim, até parece bem.

No site do projecto rebirth muita informação e acompanhamento da construção ao minuto (e mais informação aqui também )

Sem ser desculpa para as nossas imperfeições, este caso como o do Parque Millenium, em Chicago, mostram que não é só cá que os grandes projectos dão polémica e ultrapassam previsões iniciais de prazos e custos.

(imagens tiradas do site do projecto rebirth e do wtc site memorial)