Onde é?
Era para ter outro uso, já há muito tempo. Entretanto, do vazio se fizeram hortas.
Privados ma n'on troppo
O Google Earth ajuda-nos a observar cada vez mais e melhor.
Para quem tem a observação do espaço como instrumento privilegiado de trabalho, é o que se pode considerar uma dádiva dos céus!
Entre muitas outras coisas, permite-nos ter uma melhor percepção dos jardins e outros ditos espaços verdes, com que se fazem as cidades.

Hoje, destaque para um site que aloja pequenos videos de promoção de cidades (comércio, festivais, parques e jardins... ), donde se seleccionaram os seguintes 4:
1) Parque botânico (Papago Park), em Phoenix. (1,54 m.)
2) Visita guiada, em formato jogging, ao Central Park, N.Y. (2,53 m.)
3) Visita guiada, em formato musical, ao Golden G. Park, S. Franc. (3,37 m.)‘A nova área central da Portela, afirma-se como deslocação da continuidade natural de Lisboa para o extremo do planalto(...). O extenso vazio central configura um novo espaço público que articula os desejos de continuidade dos corredores ecológicos há muito planeados, na configuração de um intenso vazio, que se afirma em contraste com um intenso edificado que se dilui progressivamente até ao novo limite do planalto da Cidade, em domínio dos amplos vales agrícolas dos rios Trancão e Tejo.’
A possibilidade/previsibilidade da saída do aeroporto da Portela nos próximos 12 anos exige definição de objectivos para o destino a dar a esse "enorme bocado de cidade".
Não deixa de ser também um motivo de entusiasmo para quem sonha com uma cidade com melhor ambiente urbano o que, entre outras coisas, significa melhor ar, melhor mobilidade, melhor urbanismo e natureza (plantas, animais, água, terra...) melhor integrada no seu interior.
Melhorar o ambiente urbano é um dos factores que tem sido decisivo para todas as cidades que têm contado/querem contar com a instalação de actividades de alta qualificação para se desenvolverem.
Seria bom que uma das premissas do desenho urbano e da filosofia da intervenção para a Portela pós novo aeroporto fosse a valorização e o reforço da estrutura verde, nomeadamente com a criação de percursos facilitando as deslocações a pé e de bicicleta, no interior do espaço (plano) e ligando o melhor possível grandes espaços verdes pré-existentes ( 1 - Viveiros Olivais/Vale do Silêncio; 2 - Áreas verdes de protecção da 2ª Circular/acessos a Bairro dos Olivais e Parque da Bela Vista; 3 - Mata de Alvalade; 4 - LNEC/Hospital Júlio de Matos; 5 - Quinta das Conchas; 6 - Parque Oeste; 7 - Parque Periférico/Coroa Periférica Urbana/ QQ. Coisa Verde Periférica).
O primeiro Plano Director de Lisboa, também conhecido por Plano De Groer (o seu autor/coordenador), sugeria que as zonas de protecção do aeroporto podiam servir como terrenos de jogos e de desportos. De pasto serviram certamente, por muitos bons anos.
Terrenos junto ao aeroporto da Portela, fotografados por Arnaldo Madureira e Artur Goulart, 1960, Arquivo Municipal de Lx
O Plano Director dos anos 60/70 considerava que se devia prever a desafectação dos terrenos em que se implantava o aeroporto, como possível e desejável.
O que é indiscutível é que esse cenário (que estranhamente, pouco interesse e debate provocou até agora) representa a possibilidade de dar um salto gigante na qualidade de vida de Lisboa (e não só) e de "coser" uma parte da cidade dividida por uma enorme infraestrutura.
Nota lateral: voo mais baixo, mas mesmo assim alto, seria conseguir acabar entretanto com dois dos maiores bairros de barracas ainda existentes (Qª da Serra e Bº da Torre - a vermelho), que marcam presença à saída da cidade.
Projecto para a reconstrução do "Ground Zero" - Nova Yorque
Na reconstrução do espaço anteriormente ocupado pelo World Trade Center (baptizado de Ground Zero), protagonismo de árvores e jardins.Para além duma nova torre (torre da liberdade) o projecto prevê a construção dum "memorial" que, entre outras coisas, inclui dois grandes tanques no local das antigas torres gémeas. Um projecto que teve um processo de crescimento algo atribulado, com a versão inicial de Libeskind, aprovada em 2003, a ser bastante alterada, principalmente por causa de "preocupações de segurança, aspectos financeiros e opiniões dos familiares das vítimas" .
Master Plan de Daniel Libeskind para o Ground Zero
Michel Arad, o autor do projecto vencedor do concurso para a "Praça da Memória" (em baixo à esqª) que também provocou alguma polémica, contou com a colaboração de Peter Walker, um dos mais famosos paisagistas mundiais, para fazer a versão final que propõe a arborização da envolvente dos tanques.
Mais uma prova do cada vez maior reconhecimento da vegetação (nomeadamente as árvores) como elemento importante para criar bons espaços públicos (e resolver polémicas).
Não se fará o "Paraíso no Céu" mas pelo menos não se deixará de fazer um "Paraíso na Terra"... visto assim, até parece bem.
No site do projecto rebirth muita informação e acompanhamento da construção ao minuto (e mais informação aqui também )(imagens tiradas do site do projecto rebirth e do wtc site memorial)